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É a crise… e o desemprego

Hoje estava a discutir a saída de um grande jogador da liga de Honra portuguesa (reparem na ironia) para o Everton, por uma quantia de alguns milhares. Esta conversa levou a outra e acabou onde qualquer conversa entre portugueses acaba: na merda. Estávamos então a falar do governo português e do seu passado em crise. Tempos de Mário Soares, eram tempos de “apertar o cinto”, tempos de Barroso, eram tempos de um Portugal de “tanga”… Hoje é-se mais frio e directo: é a “crise”.

Redijo também este texto pois numa conversa de aula de Física, a pretexto dessa mesma crise, vieram os desempregados à baila. Eu atiro a um colega uma bem feia: falas dos profissionais desempregados ou dos desempregados profissionais? A sua expressão de indignação (talvez por sofrer de tal maleita) fez-me repensar o que tinha dito. Mas o que disse de errado? Num país em que um desemprego ganha tanto como um trabalhador e ainda poupa nos transportes/alimentação/…?

Manuel Cruz, o poeta português

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Gosto imenso de ler boa poesia, escrita com o coração, com sentimento. A poesia, para mim, não pode ser um descarregar de palavras articuladas por preposições que acabam por rimar. A poesia precisa de ser suculenta, ter conteúdo e algo por trás que me absorva e me faça distrair de tudo o resto. Alguns poemas de Fernando Pessoa, por exemplo têm essa capacidade. Mas não há ninguém que tanto me cative, como cativa Manuel Cruz.

Ainda um jovem com uma carreira pela frente, Manuel Cruz é apenas um desvalorizado artista. Posso dizer, de peito feito e com toda a convicção que este pequeno grande poeta escreveu a banda sonora da minha vida: por entre grandes músicas dos Ornatos e Pluto lançou-se recentemente (2008) numa carreira a solo (Foge Foge Bandido) compondo grandes poemas com os quais me identifico totalmente, no álbum O amor dá-me tesão.

Posso dizer maravilhas deste grande senhor, mas nada como vos estimular a mente e incentivar-vos a alguma pesquisa: procurem as seguintes músicas no youtube ou numa loja:

  • Capitão Romance – Ornatos Violeta;
  • Borboleta – Foge Foge Bandido;
  • Ninguém é quem queria ser – Foge Foge Bandido.

Destaco estas três grandes músicas, bem sugestivas da qualidade de Manuel Cruz, para mim, o poeta português por excelência.

Um desafio aos senhores que elaboram o plano de matéria leccionada nas aulas de Português: e que tal um pouco de poesia contemporânea? Acho que ficamos cada vez mais presos ao passado, desvalorizando artistas de extrema qualidade que não vêem o seu trabalho recompensad0. Não será altura de valorizar, quem merece, em vida?

Aos poucos chega 2012

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Estou francamente preocupado com os últimos ocorreres no Mundo. Cada vez mais a impotência do Homem perante a gigante e implacável natureza se faz notar: por entre trocas de estações, sismos aos pares, relâmpagos incessantes e erupções que nos limitam o dia a dia, o factor comunicação social, também ele, tem sido devastador.

Um conjunto de factos parecem querer determinar o término da humanidade como a conhecemos. Os Maias, povo claramente sábio, previu o fim do mundo em 2012. Um conjunto de ilações científicas leva-nos a crer na destruição do planeta terra brevemente. Não sei se alguma força superior quer fazer de nós um paradigma para futuras gerações, mas a verdade é que o fim está próximo.

Proximidade, conceito relativo. Quando se fala da escala do tempo, o próximo pode ser uns milhares de anos ou apenas meia dúzia deles. A verdade é que o mundo vai acabar, ponto. O sol vai explodir-nos, se não nos fizermos explodir antes. A ciência é bem clara a esse ponto e nós bem capazes de o entender. Mas o efeito 2012 vai muito além da ciência.

Se existe algo que toda a gente deverá saber é que o Homem é cruel por natureza. Em qualquer parte da sua vida vai querer pôr em risco a sua espécie para ganho próprio. Isso tem vindo a ser cada vez mais notável: o caso recente da gripe A que foi declarada como uma “falsa pandemia“. Com todo o hype (alarido) gerado, laboratórios e farmacêuticas geraram milhões em receitas. O factor M chamo-lhe eu, o medo.

E irá ser assim que o efeito 2012 se vai desenrolar: o medo passageiro com documentários na comunicação social. O pânico com a aproximação da data.

Mas quem não se lembra do filme 2012 que estreou bem recentemente no grande ecrã? E as audiências geradas atrás de documentários que fazem furor na internet e na televisão? E quanto dinheiro não irá ser gerado à custa de um estado de medo?

Se o mundo vai acabar? Sem sombra de dúvidas! Se vai acabar quando nos disserem que vai acabar? O tempo o dirá. Só nos resta um pouco de bom senso para determinar no que devemos e não acreditar.

O que eu sei, eu digo…

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Fui recentemente abordado por um leitor deste espaço, numa conversa pessoal, acerca daquilo que digo e como o digo. Eu escrevo aquilo que consigo. Digo o que sei e o que não sei. Quando não sei demonstro a minha visão, quando sei, luto pela razão. O que levou à abordagem do meu colega de profissão foi o facto de escrever os textos muito curtos.

Como já disse, escrevo aquilo que consigo, aquilo que acho interessante. Não quero agradar a gregos e a troianos, nem a gregos, nem a troianos. Quero expressar-me, falar, deitar cá para fora. Não porque quero seguir uma carreira com esta vertente, mas porque me faz bem.

Recentemente fui a uma palestra onde assisti ao brilhante Dr. Professor José Eduardo Pinto da Costa. Posso dizer-vos com toda a franqueza que é possível ouvir e ter um diálogo com aquele homem durante horas seguidas. Apesar do seu estatuto, parece ser uma pessoa extremamente simples e acessível para quem entender minimamente aquilo que ele quer dizer (cientificamente). No início da sua apresentação disse o seguinte:

Não quero demorar mais que 7/8 minutos, mais do que isso, não passa de masturbação mental. [escusado será dizer que falou durante mais de duas horas]

Estando a palestra cheia de jovens na puberdade, a gargalhada foi geral. Mas a frase ficou-me na cabeça. Não por a achar engraçada. Embora me tenha arrancado um sorriso, ensinou-me que devemos querer ser sucintos, directos e eficazes. E é isso que tento ser.

Embora encha os meus artigos com informação pessoal e irrelevante para a tese que quero defender (como é o caso deste artigo), tento transmitir um mínimo de informação que ache útil.  Não por vos querer ensinar algo, mas porque me faz bem.

Teorias improváveis: o paradoxo dos gémeos

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Estudo física algumas vezes por semana. Recentemente deparei-me com algumas teorias de Einstein e fiquei maravilhado com o seu conhecimento que considero inigualável. Às palavras dele, existem duas coisas infinitas: o universo e a estupidez do Homem. Em três segundos que li esta frase, em três segundos que me identifiquei com este senhor que, numa época de dogmatismos, conseguiu elaborar complexas teorias científicas que ainda hoje se aplicam.

Falando um pouco menos sobre Einstein e mais sobre teorias improváveis, ou seja, teorias que provavelmente nunca se provarão: pesquisando sobre Einstein dei-me com um enunciado de um problema que viria a ser descrito como o paradoxo dos gémeos. Passo então a explicar:

Sujeitam-se dois gémeos, de iguais características físicas e psicológicas, se assim quiserem, a um teste: enquanto um fica na terra o outro viaja num vaivém a uma velocidade aproximada de c (velocidade da luz) até a uma estrela, por exemplo. Segundo as teorias de Einstein, quando o gémeo que partiu chegasse ao planeta Terra, seria uns quantos anos mais velhos que o gémeo que aqui ficou (dependendo da velocidade e da distância percorrida).

Fiquei pasmado com a resolução desta teoria: no papel, faz todo o sentido! Mas, tratando-se de um paradoxo, o próprio nome tudo indica: não passa de um contra-senso, de algo inverosímil.

Inverosímil o tanas! É verosímil para quem o assim quiser: basta fechar os olhos, e encostar-se atrás… a mente faz o resto.

23, um pouco de cultura

Confrontaram-me recentemente com um trailer de um filme que mostrava Jim Carrey em grande plano: o número 23. Sendo eu um fã de todo o trabalho de Jim Carrey não pude deixar de sentir um grande desejo em ver este filme. Como o filme roda à volta do número 23 resolvi fazer algum trabalho de pesquisa (wikipédia, para que te quero?).

Fiquei a saber que, para os supersticiosos, o número 23 pode ter um background interessante. Passo então a citar alguma das informações que criam uma mística à volta  deste número:

  • William Shakespeare nasceu e morreu num dia 23;
  • Júlio César foi apunhalado 23 vezes na hora do seu assassínio;
  • 2/3 (dois terços) resulta em 0,666;
  • 23 são as igrejas autónomas da religião católica (lá estou eu);
  • Os cavaleiros templários tiveram 23 grandes mestres;
  • 23 são os segundos que o sistema circulatório demora a completar um ciclo;
  • 23 dias foi a duração da marcha do sol de Gandhi.

Coloco aqui esta informação por uma questão de curiosidade. Gostei de saber nas coincidências que rodeiam este número natural (muitas mais das mencionadas), mas surpreso fiquei em saber que exista quem se dedique a estudar o passado dele.

Nota interessante: à hora da escrita deste artigo, apenas 10h faltam para serem 23:00.



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