Manuel Cruz, o poeta português
Gosto imenso de ler boa poesia, escrita com o coração, com sentimento. A poesia, para mim, não pode ser um descarregar de palavras articuladas por preposições que acabam por rimar. A poesia precisa de ser suculenta, ter conteúdo e algo por trás que me absorva e me faça distrair de tudo o resto. Alguns poemas de Fernando Pessoa, por exemplo têm essa capacidade. Mas não há ninguém que tanto me cative, como cativa Manuel Cruz.
Ainda um jovem com uma carreira pela frente, Manuel Cruz é apenas um desvalorizado artista. Posso dizer, de peito feito e com toda a convicção que este pequeno grande poeta escreveu a banda sonora da minha vida: por entre grandes músicas dos Ornatos e Pluto lançou-se recentemente (2008) numa carreira a solo (Foge Foge Bandido) compondo grandes poemas com os quais me identifico totalmente, no álbum O amor dá-me tesão.
Posso dizer maravilhas deste grande senhor, mas nada como vos estimular a mente e incentivar-vos a alguma pesquisa: procurem as seguintes músicas no youtube ou numa loja:
- Capitão Romance – Ornatos Violeta;
- Borboleta – Foge Foge Bandido;
- Ninguém é quem queria ser – Foge Foge Bandido.
Destaco estas três grandes músicas, bem sugestivas da qualidade de Manuel Cruz, para mim, o poeta português por excelência.
Um desafio aos senhores que elaboram o plano de matéria leccionada nas aulas de Português: e que tal um pouco de poesia contemporânea? Acho que ficamos cada vez mais presos ao passado, desvalorizando artistas de extrema qualidade que não vêem o seu trabalho recompensad0. Não será altura de valorizar, quem merece, em vida?

As vezes que ouvi esta música…
Manuel Cruz, é um senhor, o foge foge bandido é um exemplo de um dos maiores trabalhos na história de Portugal, não só em quanto músico, poeta, ilustrador. Mas como Artista!
Deve ser das coisas que mais me impressionou nos últimos anos em Portugal.